segunda-feira, julho 26, 2004

disse sim em vez de não




disse sim
à vida ainda no ventre de minha mãe
um sim
quando tentei falar
sim,
quando as regras me impunham a chorar
um sim
ao meu primeiro beijo
tantos sins pela vida fora
às ilusões,
desilusões
aos mistérios,
aos prazeres
sim
ao fascínio e ao sonho
à imagem verdadeira do amor
às horas de incerteza
sim
aos queixumes
e lamentos da noite
às lágrimas que
teimavam em cair sem beleza


talvez noutro momento,
noutra lembrança
de poder
o meu pensamento
na calma de uma liberdade já passada
em qualquer altura,
mesmo agonizada,
conseguisse dizer não
não ao obsessivo
poeirento caminho
não ao hábito
da noite
não à dor
de infortúnios
não no momento
de nascer


onda

  abril desfolhado a tela já não é sinfonia nem as aves gritam como qualquer papoila num campo distante não há forças para sonhar ...